24 novembro 2007

Tempo é Dinheiro – Parte III

No tempo em que o “ti” Alfredo Miranda bebia uma duzia de “calces dela” e comia dois maços de kentuky sem filtro, dos que não faziam mal à saúde, tambem havia compras e vendas. Por exemplo uma junta de bois custava umas quinze notas (se fosse bem negociada). O queijo do Ramirão, feito por mãos encardidas na qualhada cheia de cardo e sal valia mais que o palheto que o empurrava pela garganta.
Voltemos ao negócio, se o Chico Cego queria comprar duas vitelas para lavrar as terras, ter uns bezerritos (se não saí-se forra), fazer estrume para o cultivo, etc., tinha que poupar dinheiro durante o tempo necessário e quando fosse detentor da respectiva maquia dirigia-se á feira do gado e levava a (s) rês (es) para casa. Em suma gastava-se tempo para conseguir o dinheiro que permitia fazer a transacção comercial.
Então chegaram os bancos, carregados de cartões de crédito e créditos para gastar no que muito bem apraz ao consumidor e, os “Chicos” deixam de ter que esperar, a partir de agora os bancos disponibilizam imediatamente o valor que o cliente precisa, no fundo eles vendem tempo a um preço elevado.
O grande problema é que, quando o Chico acabar de pagar as vitelas compradas a crédito estas já estão velhas e carcomidas, deu duas vezes mais por elas (os juros até podem ser baixos mas tem que fazer um seguros para cada casco). O seu valor passa a ser muito mais baixo e para a próxima só vai poder comprar um jerico (que não dá leite).
Teso porque o tempo é muito dinheiro vai ter que casar por amor, porque interesse nela não tem nenhum.
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