23 junho 2007

Os acusa Cristos...



Cada vez que bebo um gin tónico acordo ás 6 da matina do dia seguinte (se a sua ingestão for antes da meia-noite, caso contrario passa para as 5h30 do mesmo dia), como tinha emborcado dois no lampião (são os melhores do mundo ainda que o Tó se estique no preço – batem os afamados da ilha) acordei muito antes da aurora e fiquei com aquela vontade reprimida de me esgueirar para a casa de banho em troca do calor do ninho quente (nem parece Verão). Mantive a vontade reprimida e vim até ao computador meditar acerca das cartas que as finanças têm enviado aos recém-casados.


Como sabem, nos dias que correm, o estado, uma vez que tem falta de funcionários, manda trabalhar o cidadão comum em prol de um bem supremo – não deixar que gamem os cofres das finanças, para isso estão lá eles e não aceitam concorrência.

Acho muito bem que o fisco controle os restaurantes, os fotógrafos, os músicos, os engenheiros (mesmo os que não o foram e agora o são sem o serem), advogados, pastores, etc. Só não concordo com o sacudir a água do capote passando a bola para o lado do cidadão e convertendo-o num bufo ao nível do homem do Vimieiro (nem a ele ocorreu tão brilhante ideia).

Eu peço quase sempre factura (por vezes até demais), dos poucos locais onde tive alguma dificuldade em obter um recibo do pagamento de uns impressos até foi na tesouraria das finanças do meu burgo – agora se calhar já não é difícil obter o tal papelito.


Relativamente á carta que as finanças hoje em dia envia aos desgraçados (sim, sim não é erro) que mal chegam de lua-de-mel têm que ir levantar aos correios (vem registada e tudo), segundo informações indesmentíveis de três dos sete cientistas meus amigos, já levou a princípios de divórcios (é como as pneumonias há quem as tenha e quem tenha só princípios) porque a mulher (sempre elas) acha logo que o marido fez porcaria e o fisco já o está a chamar para levar com a palmatória, mas o que reza a carta (por palavras apropriadas a um fiscal que se preza e não estas) é só o seguinte:


“Sabemos que desgraçadamente cometeu o infortúnio de se casar, mas se nos quiser ajudar podemos lixar dois ou até três dos que participaram de forma activa na farra que V. Ex.ª pagou para saltar de cabeça do mundo dos livres e solteiros para o escuro planeta dos fatidicamente casados, assim e, para que não seja o único a sofrer com esse acto inconsciente diga-nos:


O prior passou recibo? De que valor para que a mão tributária lhe retire os laivos de materialista;


Qual foi o restaurante?

Quanto lhe esfolou para que os que o acompanharam à forca se pudessem alambazar á grande e á francesa, o recibo saltou da registadora?

A comida era demasiado doce ou salgada? – Diabetes e Tensão arterial pesam muito no orçamento de estado (este paragrafo é da responsabilidade do sabichão de Torredeita), portanto temos que actuar na comezaina da mesma forma que o fazemos com o tabaco.


Quem foi o fotografo?

Tirou fotos chatas (é só pelos anti-depressivos)?

Passou recibo pelos daguerreótipos?


E a banda que tocou alegremente para todos bailarem (quando lhe passar a dor de cabeça do álcool e os olhos perderem o baço pode ver no vídeo caseiro a figurinha que fez a dançar, aposto que os acusa imediatamente) enquanto o viam cair em desgraça passou recibo?

Houve lugar ao pagamento de direitos de autor?


PS- as despesas de divórcio não podem ser abatidas aos lucros do casamento.

PSS – se alguém contou anedotas sobre algum membro do governo (sobre engenharias ou Otas) é obrigado a denunciá-lo nas costas do impresso.


A carta é de fácil preenchimento e a sua devolução é facilitada. Para os que responderem prontamente temos um presunto de Lamego - apreendido a semana passada na feira de Castendo por não ter plástico e só apresentar quarenta e cinco carimbos de qualidade dos noventa e dois exigidos por lei. Para as cinco cartas que levem a sacar mais guito vamos ofertar uma vitela e dois suínos que neste momento são cevados nas caves secretas do ministério das finanças."


Colabore para o bem de algo maior que qualquer um de nos...
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