25 abril 2007

O sono dos justos...


O homem que diz ser Engenheiro (não é o António, porque esse mostrou grandes dotes como matemático apagando qualquer duvida com a celebre frase – é... hum! é...hum! é só fazer a conta… ou de contas) continuava a rebolar-se na cama, suado e com uma ligeira dor abdominal. Primeiro ocorreu-lhe que seria da porcaria do picante que tinha trazido da terra natal e do qual abusara ao jantar. Tapou a cabeça com o lençol fechou os olhos com toda a força, mas não havia nada que lhe devolvesse o descanso.
Quatro da manhã e do sono nem pinga, nem a imagem de Nossa Senhora de Fátima pendurada sobe a cabeceira da cama para velar por ele lhe trazia o conforto e a calma que nos permitem dormir sossegados. Levantou-se, gritou desalmadamente (não se consegue entender se pela Sra. dos Tormentos ou pela Santa Barbara) mas o som foi perdendo nexo e começou a bater com as mãos na parede. – É verdadeiro! É verdadeiro, nunca pediram o de mais ninguém e só porque eu mordi na mão do homem que queria os telefones ele faz-me uma destas! Se eu fosse tão poderoso como o Bush amanhã mandava bombardear a Espanha, eu sei que eles nos estão a conquistar com as suas armas de destruição em massa.
O gemido foi interrompido por três pancadas secas na porta. Silencio, seria a salvação ou apenas uma alucinação criada pela falta de sono? Mais três pancas. Salvação!
Afagou o cabelo com os dedos e com um andar decidido dirigiu-se para a porta, antes de abrir balbuciou – Quem é?
- É o Morais, abre que tenho aqui a solução.
Sentados sobre a carpete foram espalhando papeis, “este é o teste… este o pedido… o diploma… o certificado”
- Amigo Zé, vamos imprimir datas nisto que eu tenho carimbos e mais umas coisitas da época, já rasuras-te a outra coisa?
- Mandei queimar, é mais seguro.
- Com estes papéis é como o Alves dos Reis, é tudo verdadeiro.
Quando o velho amigo Morais se retirou já o Zé estava bem mais calmo, dormiu o resto da noite como um passarinho.

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Duas horas e doze minutos após a orgulhosa entrevista que retira todas as dúvidas, o SIS de Barrelas, que anda á procura de Neo-Salazaristas infiltrados em lares e infantários, interceptou a seguinte conversa telefónica, que nunca foi ou será divulgada:
- Tou? Morais?! É o Zé, voltas-te a fazer merda da grossa carago, o Alves dos Reis não fez notas de 1000 com papel de 500.
- Pois não! nem nós! os certificados e diplomas são mesmo da… - Um berro do outro lado da linha – PORRA! MAS A PORCARIA DAS DATAS, OS NUMEROS DE TELEFONE e o raio que o parta são dos tempos actuais e não daquela altura... como é que me descalço? Mando perseguir o homem do norte?
Os espiões, nesta fase perderam a ligação, porque os rádios só podem gravar 30 segundos de cada vez. No entanto, corre por ai o boato, e não passa disso, que, como todos os que pairam por aquelas bandas, têm rabos-de-palha embebidos em petróleo, mais vale deixar a chama apagada não vá haver uma grande catástrofe nacional e queimar muita gente… ah e que a Sr de Fátima lhes alumie as cabeças de seixo.
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