02 novembro 2006

Dois dedos iguais

Em Guimarães de Tavares vive o António Anjinho, que segundo o próprio (recebeu essa informação divina transmitida pela padroeira de Portugal) nunca vai morrer porque tem dois dedos iguais – e quem tem dois dedos iguais (na mesma mão) nunca morre.
O António tem uma coisa muito boa, como é considerado retardado nunca teve que trabalhar muito, nem na lavoura para a qual só era necessário força bruta.

Antes do 25 de Abril de 1974 podia dizer mal dos governantes porque era louco e ninguém lhe ligava, agora os mais sãos da tola (não eu) já o podem fazer porque somos livres... e também porque ninguém liga.

12 outubro 2006

Voltemos á serena calma dos dias


O objectivo deste pequeno blogg é apenas a divulgação da minha modesta opinião sobre assuntos positivos da vida. Inclui-se nesses assuntos positivos os livros e a música, desde que sejam interessantes. Ora, os dois posts sobre o “Enxofre” e “A dança da morte” estão fora do contexto de tudo o que eu quero para esta pequena casa. A quem os comentou as minhas desculpas, mas o meu maquiavélico plano é destruir estas duas manchas.

Relativamente ao tradutor, Mário Dias Correia, já li muitos livros por ele traduzidos – “Fortaleza Digital”, “Anjos e Demónios”, "O código Da Vinci", "Uma vida inacabada", "O Livro Negro da América" (estes foram os poucos que fui espreitar á contra capa, mas por ventura deve haver muitos mais abandonados nas minhas prateleiras) – e todos apresentam grande qualidade. Quantos aos dois visados nos posts a abater prometo voltar a folheá-los mas só vou escrever os pontos positivos - Para começar aprendi o que é uma cacatua.

09 outubro 2006

O “Espeta e deixa”

No sábado passado tive que alombar com uns belos poceiros cheios de uvas. A vindima esteve marcada para o anterior, eu até tinha um casamento, mas o São Pedro, com algumas cunhas dos meus irmãos, mandou tal carga de água que a coisa teve que deitar adiante. Fiquei todo partido, também porque não admiti rodilhas ao ombro – isso é para as mulheres.

A casta que se vê nesta imagem deve ter um nome técnico que eu desconheço, na minha aldeia a população chama-lhe “espeta e deixa” – porque são umas uvas saborosa quando se comem sem trincar e deitando logo a casca fora.

Espero que ao menos o vinho deste ano seja muito bom porque o meu pai deu-se ao trabalho de não enviar tudo para a cooperativa (que paga quando calha) e fizemos um lagar de boa pinga – Não levou “espeta e deixa”.

O ti António da Vinha Morta e a esposa do Rui das Botas (que tem uns borregos muito bons) são as personagens do primeiro retrato, já a vindimarmos o fim do Prado.

27 setembro 2006

Feijão assado no forno

Depois de várias tentativas falhadas de fazer este belo pitéu em minha casa, resolvi tirar o rabinho da cama antes da alvorada e fui ajudar dois velhos amigos a elaborar o petisco. Às 08 horas já o Rochinha (o careca de barba) andava atarefado a meter lenha no forno, eu e o velho Oliveira (o de chapeu) só nos apresentámos ao serviço por volta das 08h30.
Lavámos as mãos (eu achava que dava sabor mas o Oliveira é um doente da higiene) e como o tacho era para 15 comilões (beberrões) tive que descascar 10 cebolas e uns 20 dentes de alho. Depois de tudo picadinho e lavado mistura-se com o feijão (Catarino - grande e amanteigado) que está de molho há mais de 15 horas. Com a carne, diz-me o velho Oliveira - "O segredo está em deixa-la cortada e metida em sal durante três dias devendo depois ser bem demolhada no dia anterior, e não te esqueças que tem que ter um pedaço de rabo e orelha para dar sabor".
Depois de tudo misturado é acrescentado o presunto em cubos e a chouriça cortada (em grandes pedaços), mais uma mistura, meio litro de azeite e toca a atestar com água até tapar os feijões.
O forno deve estar branco de tanto calor, então o assador entra lá e só de pode abrir a porta ao fim de uma hora para ver se precisa de mais água (sempre fria).
Três horas depois e após alguns petanços entre os meus dois velhos - tal e qual os Marretas sempre a resmungar um com o outro - "não aqueceste bem o forno", "tem água a mais", "é ultima vez que aqui venho" etc. - está tudo pronto para se deliciar.
Desta vez chovia como Deus a dava mas nem assim conseguimos rapar a travessa, quanto ao vinho, não se pode dizer o mesmo, talvez devido a um fenómeno metrológico chamado evaporação, os garrafões foram desaparecendo uns atrás dos outros (ainda por cima fui eu quem levou o vinho).

Muito Obrigado Oliveira pela aula (por esta e por muitas mais)!
Muito Obrigado Rochinha pela barraca que nos acoita!

28 junho 2006

A tv-kaka é gatuna... eu tambem!


Tenho andado a lutar contra os piratas da TV-Cabo e da Cabovisão, que sem me informarem, conforme o contrato, resolveram cortar-me o sinal do M6 e da RTL durante os jogos do Mundial. A minha opção vai ser mandar cortar na minha conta o débito deles no fim do mês, depois quero ver se eles me conseguem provar que o serviço que contratei com eles não está danificado ou incompleto. Eu, nem sabia que tinha tais canais no pack que me venderam, mas eles sabiam e, desde há muito que sabiam, que estes iam transmitir os jogos todos, não custava nada terem-me informado com um mês de antecedência que a partir do dia x aqueles canais deixavam de transmitir (algumas horas), e eu decidia se queria pagar um canal que emite um sinal preto com uma mensagem estranha sobre direitos de transmissão ou não.
…. tenho uma antena e podia vira-la para o Astra e aprender alemão. Felizmente tenho visto a bola e em português. Força tugas…. Vamos ganhar sábado.

Contras os bretões marchar! Marchar!

26 maio 2006

Os Amigos do Rio



Finalmente consegui um convite para entrar no restrito grupo dos “Amigos do Rio” que todos os anos por esta altura passam desde Sábado á tarde até Domingo depois de almoço num recôndito lugar do rio Tâmega. Eu sou o número 112 e este ano estiveram presentes cerca de noventa amigos.
Por volta das seis da tarde chegámos á aldeia de Capeludos, depois, por uma estrada de terra batida lá conseguimos chegar a um vale junto ao rio. Montámos as respectivas tendas e começaram a circular as petisqueiras – a punheta de bacalhau, o belo presunto, a chouriça e outras iguarias – e os respectivos líquidos para não empaparmos.
O jantar foi servido numa tenda montada para o efeito, uma feijoada (picante para puxar pelo tinto) com muita carne grelha na hora e na brasa (JL). Após esta regada refeição foram entregues as medalhas de antiguidade para quem já marca presença á cinco, dez, quinze ou vinte anos.
Antes de começar o grande concerto de improviso, onde o grande cantor Rogério Santos brilhou, chamou-se pelo nome dos que já partiram deste mundo e que fizeram parte do grupo dos amigos do rio.
Enquanto a banda improvisada improvisava animadas músicas populares pelas mesas jogava-se á batota e o vinho ia correndo pelas goelas (mesmo pelas dos músicos).
Não compreendo o porquê de se levar tendas para dormir duas horas, porque de repente já estávamos a desmontar as tendas e a limpar o lixo.
Ao almoço deleitámo-nos com um bacalhau assado regado com muito azeite e alho.

Fígado desculpa lá mas para o ano lá estou outra vez… nem que chova.

16 maio 2006

LIVING WITH WAR - o novo album do jovem Neil Young



Para ouvir o Neil Yung carregar aqui'

Este jovem que a 12 de Novembro faz 61 anos de idade ainda me consegue surpreender.
Ouvi com atenção o seu último álbum de originais (Living with War), tenho que dar a mão á palmatória e concordar com o José Sócrates, este homem não se pode reformar aos 65 anos. Ainda faz música jovial e cheia de energia.
Recorre muito aos coros mas as musicas são autênticos hinos, gritando contra todas as guerras do mundo(as orelhas do Bush aquecem). Podemos sentir o suave vento das pradarias americanas e a força bruta da guitarra dos cavalos loucos.

Deixo aqui a lista de todos os seus álbuns originais:




09 maio 2006

A FILHA DO POLACO




Se alguém souber do paradeiro de um livro chamado “A Filha do Polaco” do escritor António de Campos Junior, agradeço a informação. Eu e um dos sete cientista meus amigos; uma ave rara (Corvus corax) original de Vale de Remígio, onde á muitos séculos Lúcios Cornélios drenou as águas paradas de um lago criando espaço para o seu ninho. Mas adiante, o dito anda á muitos anos á procura do livro que conta as aventuras de um soldado polaco em terras lusas (Mortágua) no tempo das invasões francesas. Eu só consegui a capa e o resumo.

Um abraço e boa semana

06 maio 2006

Massive Attack - Live with me

Click here to watch 'Massive-Attack-89'

Já que estou numa semana de música, deixo por aqui um vídeo dos Massive Attack, que foram sem duvida uma das melhores evoluções no contexto musical dos últimos anos. Depois pararam ou pelo menos ficaram mais moles. Apesar de tudo marcaram sempre pela diferença e trouxeram uma lufada de criatividade a um mundo do sempre igual, a girar em volta dos mesmos conceitos.
Este vídeo, como tanto outros deles, está magnifico, ou sou eu que gosto…

Boa Semana.

PS – Já agora, veio para a rua uma compilação com um dvd e um duplo cd com os melhores temas dos moços de Bristol, vale a pena, eu que sou maluco comprei o original.

03 maio 2006

Dois novos albuns - Pearl Jam e Gomez (How We Operate)


How We Operate o novo cd de originais dos Gomez é o primeiro para a ATO. È um álbum calminho recheado de boas musicas muito bem feitas quer no aspecto lírico quer melódico. A crítica considera-o muito bom, dá-lhe 4.5 estrelas numa escala de 1 a 5, eu, considero-o demasiado morto, dou-lhe 3 estrelas pois esperava mais destes rapazes. Atenção, não tem nada a ver com os GNR do post abaixo, aqui a musica prevalece e eu, se calhar, não estou com estado de espírito para coisas calmas. Por isso tenho andado a escutar em altos berro o novo dos Pearl Jam e olhem que 15 anos após o Ten e após alguma “perdição” (não quero dizer mau), voltaram ao som que sempre os caracterizou. Desde já um obrigado ao Eddie Vedder e demais companheiros.
Para ficarem com água na boca fica uma dos Gomez, amanhã meto Pearl Jam.

28 abril 2006

Fortaleza Digital - O primeiro Livro de Dan Brown já está na nosso lingua.


Já fiz um post sobre o Dan Brawn, mas a edição em português de “Fortaleza Digital” não me podia passar ao lado.
A história já foi resumida aqui, assim como a minha modesta opinião acerca do escritor.
Qualquer livro escrito por Dan Brown dava um bom filme de acção, quando se começa a ler não se consegue parar e quando pensamos já ter o enigma solucionado aparece sempre o inesperado para nos baralhar.
Por agora fico a aguardar o novo livro, porque o próximo a ser editado já é da sua lavra pós Código Da Vinci e segundo os rumores o professor Robert Langdon vai continuar a ser o herói.
Mas para já vamos contentar-nos com o filme do Código a sair no próximo mês e JL não acredito que foi por isso que os evangelhos de Judas apareceram, sabes, as vendas que nos põe são menos perigosas que o coirato assado que te bate nos olhos depois de o esticares agarrado aos dentes como uma borracha, mas isso são outros contos que nos fazem piscar os olhos.

23 abril 2006

GNR Repisados


Comprei o CD GNR Revistados. Sou um adepto de música portuguesa e acho que o Rui Reininho é dos melhores poetas da nossa actualidade musical.
Fiquei desapontado e arrependido de não ter ido à mula fazer o respectivo download porque sempre o poderia apagar, assim vou ter que o oferecer a alguém quem não seja apreciador de boa música. Das grandes e boas músicas dos GNR pouco fica e até a poesia do Reininho é machadada sem piedade.
Eu não gostei, mas deve haver quem goste.

16 abril 2006

Enquanto Salazar Dormia…


Vivam as férias da Páscoa, no meio do descanso aproveitei para pôr alguma leitura em dia.
Aferrolhei-me com alguns livros junto a uma piscina numa casa sossegada no meio do Alentejo, mas este livro do escritor Domingos Amaral é das melhores histórias que absorvi nos últimos anos.
Somos atirados para o ano de 1941 e enquanto a Europa é destruída pela guerra Portugal é, aparentemente, o oásis (já na época) para os refugiados. Salazar não querendo tomar nenhum partido na guerra (parece actual) manda fechar os olhos intermitentemente á sua policia (PVDE) criando um campo de batalha entre espiões Ingleses e Alemães na nossa pacata nação, para quem pensa que Portugal não fez parte da II Guerra é de leitura obrigatória.
É uma história recheada de factos reais contados por uma personagem imaginária, Jack Gil, filho de pai inglês e de mãe portuguesa, que nos vai arrastando para dentro da “belle époque” da Lisboa dos anos 40.
Jack Gil regressa a Lisboa já com oitenta e muitos anos para assistir ao casamento do neto. Este retorno a Lisboa após tantos anos aviva-lhe as recordações dos amores, das aventuras e desventuras que lhe marcaram a alma enquanto o ditador dormia.
È um livro grande que se lê em dois dias porque é cativante e prende-nos da primeira á ultima página. Nas próximas férias sou bem capaz de o voltar a ler é que já estou com saudades do velho Jack.

Já me esquecia de referir que Domingos Amaral é o director da revista Maxmen e já nos brindou com mais três livros que eu ainda não li, a saber:

Amor á Primeira Vista - 1998
Os Fanáticos do Sushi – 2000
Os cavaleiros de São João Baptista - 2004

05 abril 2006

A mentira que nos salva


Ouvi com atenção as notícias lançadas na comunicação social sobre o que vai acontecer aos criminosos que não respeitam os direitos de autor e continuam a retirar da Internet musicas e filmes.

Fiquem satisfeito por saber que finalmente vão ser enviadas cartas a esses criminosos para ou pagarem já os direitos daquilo que usurparam ou multa até 5000€, que não podem pagar em prestações (a Eva só cometeu o pecado original e fez com que todas as mulheres pagassem com sangue – em prestações mensais) os mais teimosos malham com os costados na cadeia.

Não é preciso provar nada, basta os donos das editoras – os santos que gastam um euros a fabricar um cd e o vendem por uns míseros vinte e dois – acharem que tem net e que o ip está sempre ligado á mula, se é um mau rapaz que de longe consegue emular o ip de outrem não importa, ou prova que está inocente ou recebe a carta.

Ocorreu-me, na casa de banho (a eles também), que se devia aproveitar a ideia e a policia judiciaria deveria começar a enviar cartas aos ladrões, carteiristas, deputados, donos das editoras e outros gatunos para se entregarem livremente ou então… mas a policia judiciaria não tem dinheiro nem para selos.

01 abril 2006

A minha lista dos 20 “melhores” filmes de sempre:


Desafio proposto á muito muito tempo pelo Terreiro e lembrado agora pelo looking4good, daqui parte para o Alex já que amanhã não janta:



East of Eden - 1955 (Ellia Kazan)
The Guns of Navarone - 1961 (J. Lee Thompson) Blue Velvet - 1986 (David Linch)
Modern Times - 1936 (Charles Chaplin)
The Deer Hunter - 1978 (Michael Cimino)
Citizen Kane - 1941 (Orson Welles)
Raiders of the Lost Ark - 1981 (Steven Spielberg)
The Bridge on The River Kway - 1957 (David Lean)
Unforgiven - 1992 (Clint Eastwood)
O Pianista - 2002 (
Roman Polanski)
La vita è bella (Life is beautiful) - 1997 (Roberto Benigni)
One Flew Over The Cuckoo's Nest - 1975 (Milos Forman)
Nuovo Cinema Paradiso - 1988 (Giuseppe Tornatore)
Eyes Wide Shut - 1999 (Stanley Kubrick)
2001: A Space Odyssey - 1968 (Stanley Kubrick)
Apocalipse Now - 1979 (Francis Ford Coppola)
City of Angels (Cidade dos Anjos) - 1998 (Brad Silberling)
The Schindler's List (A Lista de Schindler) - 1993 (Steven Spielberg)
Matrix – 1999 (Andy Wachowski e Larry Wachowski)
A Laranja Mecânica – 1971 (
Stanley Kubrick)


looking4good said... Houve aqui um desviozinho ao desafio... mas está bem. O desafio original não era saber quais os 20 filmes que cada autor de um blog escolhia como os melhores, mas sim escolher os melhores 20 filmes da blogosfera como um todo. E como fazer isso? Passando a lista, sim senhor de uma pessoa para outra mas em que cada uma apenas podia eliminar dois filmes da lista recebida e adicionar dois dos seus preferidos. Ou seja depois de passar por umas 20, 50, 100 mãos a lista não é de ninguém e é de todos porque contribuiram para ela! A lista também não se cingia aos filmes portugueses. Mas é claro que estas regras não se podem impôr. Assim como está ... o objectivo termina... a não ser que queira rever a sua posição! O que como mentor original da ideia ficaria especialmente grato.

26 março 2006

Vamos lá contar garfos…


Então no próximo sábado, 01 de Abril de 2006, dar-se-á pela primeira vez, na nossa zona, o encontro para repasto e amena cavaqueira entre bloggistas corajosos e/ou disponíveis.

Para que fique escrito em letras graníticas, estes magníficos manjares vão ser repetidos, com a diferença que depois de sábado terão que nos pedir muito para revelar onde e como podem entrar no próximo, vai ser como uma espécie de secreta do Zé Sócrates para fora dos olhos do ciberespaço com línguas viperinas bater e debater o que sabemos e o que pensamos que sabíamos…

Vejamos quem já se chegou á frente:

GreenSky
TSFM
Terreiro
Zel
North
JL
Azurara
Fornense
Peixinha_porto (só vi agora, obrigado JL )
M e Spartakus, chãs de Tavares é na saída a seguir á de Mangualde vindo na IP5 na direcção Viseu ->Guarda

21 março 2006

O Jogo do "Parrolo"


Já sei que vou ter um amigo de 37 anos, especialista em demopsicologia á 45 anos que me vai cair em cima, mas pronto cá vai.
O jogo do “parrolo” só deve existir na minha aldeia, Guimarães de Tavares, é muito parecido com o jogo da malha mas em vez das chapas de ferro utilizam-se bolas de madeira.
Quem fazia boas bolas era o “tí Mudo que Deus-Tem”, bem redondas e nem muito pesadas nem demasiado leves. A melhor madeira para fazer bolas de “Parrolo” é a da figueira, mas não pode estar verde se não racha.
Quanto ás regras, jogam duas equipas, de dois ou três elementos cada, que colocam os “parrolos” (dois pau eguais aos do jogo da malha de 50/60 cms) á distancia que entenderem.
De cada vez que se consegue deitar abaixo o “parrolo” com a bola somam-se dois pontos, a bola que ficar mais próxima do pau soma um ponto, há quem “chinque” o “parrolo” e deixe a bola no x onde este se coloca – deixou a bola na cama, a outra equipa só pode tentar deitar abaixo o pau e deixar a bola também na cama, porque os três pontos já cantam do outro lado. Aos dez pontos a equipa que está a perder pode mudar um dos “parrolo” para onde lhe apetecer.
Quem chegar primeiro aos vinte pontos tem direito a uma rodada de borla.

17 março 2006

Os direitos do autor



Esta história passou-se mesmo e se houver ficção parecida com este trecho de realidade é mera coincidência.
O dia despertava e como que maquinalmente as almas abandonavam os corpos e obrigavam-nos a deslocar-se para os empregos.
Num canto da esplanada, com umas peúgas brancas a espreitar entre os sapatos e as calças zangadas com estes, um homem, dos seus quarenta anos, observava com ar de felino, o carro dos cachorros quentes, estacionado junto á calçada. Quem passava nem reparava em tal personagem mas ele era mesmo isso discreto e eficaz.
Para que conste todos o chamam Ramalho mas o seu nome verdadeiro é António Bernardo da Silva Ramos.

José Bonifácio nunca lhe puxou para estudar, agora com trinta e cinco anos, como diz o povo, torce a orelha mas já não deita sangue. Vá lá herdou do tio afastado aquele carrinho de cachorros com o qual se sustenta.
Ás 10h46 em ponto ligou o rádio a pilhas que trazia pendurado no carro dos cachorros quentes, com uns atacadores já gastos. Como que impulsionado por uma mola invisível Ramos saltou do seu canto na direcção de Bonifácio.
- Bons dias! Senhor vendedor – com um gesto suave apresentou a sua identificação de fiscal da SPA – Pode amostrar-me a licencita que lhe aufere o direito de passar música em publico.
- Desculpe mas não entendi? – Respondeu o Bonifácio enquanto corava como um tomate - A licença de vendas está aqui na carteira, essa que disse desconheço.
- O senhor não sabe que para passar música em publico tem que pagar?
- Desconheço, mas se é por isso desligo já a telefonia. – Estica a mão e desliga o rádio.
- Pois, mas agora já é tarde, vai ter que levar com a bucha, desta vez vai pagar 250€ e da próxima é a dobrar.
- Direitos de autor o c… - saca de uma beretta que tinha escondida na bota, Ramalho ao ver o cano da arma tão próximo do nariz, saltou para traz e correu como um autentico Carlos Lopes paro o mais longe que as pernas lhe permitiram.
Ainda esbaforido deu consigo no meio de um campo verde, ao longe ouviu alguem a assobiar uma musica que lhe pareceu conhecida, claro é do Marco Paulo - pensou - Só telefonei para dizer, naa naaa naaa, é mais ou menos isso .
Rastejou ao longo da ribeira e de um salto apareceu á frente de um pastor que apascentava as suas ovelhas - Ó homem, você pregou-me cá um susto que me ia deixando gago.
- Pois é, pois é – foi-se limpando e ao mesmo tempo dizia – o meu amigo tem consigo a licença passada pela Sociedade Portuguesa de Autores para poder trautear essas músicas do grande Marco Paulo? – Ficou a aguardar uma resposta, como o pastor estava boquiaberto continuou – fica o meu amigo a saber que para animar o seu gado com música que o senhor não escreveu tem que pagar os direitos a quem teve o trabalho…
- Espere lá! Estava aqui a pensar mas olhe que as modas que o João Simão canta são quase todas covers e esta até é daquele moço que é cego…o Stevie Wonder.
- É Esteves Ondas e faz couves faz! Não apresente o papel que eu mostro-lhe já como elas mordem...
- Ainda bem que o refere, mas por obsequio quer ir embora ou atiço-lhe os cães?
- Chamou-me o quê? Obsequio? Isso é o senhor e a sua família.
- Nietzsche ataca! – Gritou para um enorme cão da serra.
Ó pernas para que vos quero… ainda hoje se procura este fiscal da SPA e dão-se alvíssaras a quem souber do seu paradeiro, é que ainda há comissões para ele receber.

15 março 2006

A NAIFA - 3 MINUTOS ANTES DE A MARÉ ENCHER


Porque o North focou estes moços aqui fica um pouco do novo trabalho da NAIFA que tem o titulo de um livro de Valter Hugo Mãe. O álbum é a continuidade Canções Subterrâneas, uma sonoridade de faduncho associada ás novas tecnologias.
O projecto da banda caminha no fio da naifa (em inglês knife) arrastando-nos os ouvidos para as tabernas do fado vadio e deixando-nos cair na cave da música electrónica.
Os copos de vinho da tasca são agora vodka e "gim vomito" mas a musica permanece lá, basta que nos deixemos arrastar pela maré e descobrimos um disco profundo e com grande qualidade, quem se esforçar por ficar á superfície, dá umas braçadas para a margem e com uma navalhada separa o fado do electro, deixando afogar o disco como uma aberração da natureza, que deu uma mistura impossível de entrar em ouvidos filtrados pelo intelecto superior mas congelado a novas incursões.
Só vejo uma solução para se gostar, deixar a maré encher as colunas da aparelhagem e afogar-se lentamente no som...

(em vez de som sempre podemos tapar os ouvidos com gim introduzido per os – “o grupo de controlo”)