25 abril 2007

O sono dos justos...


O homem que diz ser Engenheiro (não é o António, porque esse mostrou grandes dotes como matemático apagando qualquer duvida com a celebre frase – é... hum! é...hum! é só fazer a conta… ou de contas) continuava a rebolar-se na cama, suado e com uma ligeira dor abdominal. Primeiro ocorreu-lhe que seria da porcaria do picante que tinha trazido da terra natal e do qual abusara ao jantar. Tapou a cabeça com o lençol fechou os olhos com toda a força, mas não havia nada que lhe devolvesse o descanso.
Quatro da manhã e do sono nem pinga, nem a imagem de Nossa Senhora de Fátima pendurada sobe a cabeceira da cama para velar por ele lhe trazia o conforto e a calma que nos permitem dormir sossegados. Levantou-se, gritou desalmadamente (não se consegue entender se pela Sra. dos Tormentos ou pela Santa Barbara) mas o som foi perdendo nexo e começou a bater com as mãos na parede. – É verdadeiro! É verdadeiro, nunca pediram o de mais ninguém e só porque eu mordi na mão do homem que queria os telefones ele faz-me uma destas! Se eu fosse tão poderoso como o Bush amanhã mandava bombardear a Espanha, eu sei que eles nos estão a conquistar com as suas armas de destruição em massa.
O gemido foi interrompido por três pancadas secas na porta. Silencio, seria a salvação ou apenas uma alucinação criada pela falta de sono? Mais três pancas. Salvação!
Afagou o cabelo com os dedos e com um andar decidido dirigiu-se para a porta, antes de abrir balbuciou – Quem é?
- É o Morais, abre que tenho aqui a solução.
Sentados sobre a carpete foram espalhando papeis, “este é o teste… este o pedido… o diploma… o certificado”
- Amigo Zé, vamos imprimir datas nisto que eu tenho carimbos e mais umas coisitas da época, já rasuras-te a outra coisa?
- Mandei queimar, é mais seguro.
- Com estes papéis é como o Alves dos Reis, é tudo verdadeiro.
Quando o velho amigo Morais se retirou já o Zé estava bem mais calmo, dormiu o resto da noite como um passarinho.

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Duas horas e doze minutos após a orgulhosa entrevista que retira todas as dúvidas, o SIS de Barrelas, que anda á procura de Neo-Salazaristas infiltrados em lares e infantários, interceptou a seguinte conversa telefónica, que nunca foi ou será divulgada:
- Tou? Morais?! É o Zé, voltas-te a fazer merda da grossa carago, o Alves dos Reis não fez notas de 1000 com papel de 500.
- Pois não! nem nós! os certificados e diplomas são mesmo da… - Um berro do outro lado da linha – PORRA! MAS A PORCARIA DAS DATAS, OS NUMEROS DE TELEFONE e o raio que o parta são dos tempos actuais e não daquela altura... como é que me descalço? Mando perseguir o homem do norte?
Os espiões, nesta fase perderam a ligação, porque os rádios só podem gravar 30 segundos de cada vez. No entanto, corre por ai o boato, e não passa disso, que, como todos os que pairam por aquelas bandas, têm rabos-de-palha embebidos em petróleo, mais vale deixar a chama apagada não vá haver uma grande catástrofe nacional e queimar muita gente… ah e que a Sr de Fátima lhes alumie as cabeças de seixo.

11 fevereiro 2007

24 - Nova temporada (6ª)

Até agora segui de fio a pavio cinco dias da vida de Jack Bauer (Kiefer Sutherland) e já estou a gostar de seguir este 6º dia do qual já tenho sete horas, pois na FOX das américas já começou (14 de Janeiro) a nova série do 24 (6ª Série). No DVD da 5ª Série vem incluída uma introdução que cria grandes expectativas para a nova temporada e para já não tem falhado, pois segue o rumo mestre do inicio e dos tempos em que o nosso Joaquim de Almeida teve um papel importante como grande senhor da droga. Como em todas as anteriores prende-nos desde o primeiro minuto de mais um dia de Jack.
24 é uma das séries mais aclamadas da televisão americana, mantém seu formato inovador. Cada episódio mostra uma hora em tempo real e todos os acontecimentos da temporada se passam durante um único dia, os telespectadores podem acompanhar os personagens através de momentos únicos num dia que ninguém jamais irá esquecer.

O primeiro episodio:

6:00 A.M.A newscast reports the terrorist bomb attacks in ten U.S. cities. Evidence points to Islamic militants.
6:01 A.M.On a Los Angeles street, a Middle-Eastern man is refused entry to a bus because he looks suspicious. On that same bus is a young man listening to a music player. The player has an extra wire running to his bag. The man calmly presses a button, and the bus explodes.
6:02 A.M.Special Advisor to the President Thomas Lennox debates National Security Advisor Karen Hayes in the White House Oval Office over the creation of detention facilities for locking up Muslims. Lennox tries appealing to President Wayne Palmer that this has legal precedent, but Wayne will not be swayed.
6:04 A.M.Karen interrupts the discussion when she gets news on the attack in Los Angeles. CTU suspects that Hamri Al-Assad is behind the terrorism. Karen notes that her analysts believe his death will stop the organization from attacking again. Lennox has no faith in this plan, but Wayne ultimately declares that CTU must assassinate Assad.
6:05 A.M.At CTU, Milo Pressman asserts his seniority over the sarcastic analyst Morris O’Brian. Chloe tells Morris to make an attempt to fit in. He responds by grabbing her from behind. Chloe doesn’t turn down the attention, but she doesn’t want their relationship on display at work.
6:06 A.M.Chloe tells her superior Nadia Yassir that she got a weird military request from Homeland Security. Nadia confirms that this is the assault on Assad. They will find him by using Jack Bauer. Chloe is surprised when Nadia tells her that President Palmer negotiated the release of Jack from a Chinese prison. Nadia refuses to give Chloe any more information, but says that Buchanan is meeting Jack at an airfield.
6:08 A.M.A Hercules C-130 military transport lands at Ellis Airfield in the darkness of the early morning. Buchanan and Curtis approach the plane as Chinese soldiers escort a bearded and shackled Jack to the tarmac. Cheng Zhi, the head of security from the Chinese Consulate who kidnapped Jack eighteen months ago, hands Buchanan the papers for transfer.
6:09 A.M.As the handcuffs are removed, Curtis notices that Jack’s hands have been badly burned. Curtis takes the silent Jack into the nearby hangar. Cheng tells Buchanan that Jack has not spoken in all the time he has been captive.
6:10 A.M.Buchanan explains to Jack why he has been released. Abu Fayed has agreed to give up his compatriot Assad in exchange for Jack. Fayed wants revenge for what something that happened in Beirut. Jack finally breaks his silence and asks about Audrey and Kim. Buchanan says that neither of them knows he is back. “You keep it that way,” Jack whispers.
6:13 A.M.Curtis allows Jack to clean up. Jack looks in the mirror for the first time and sees the scars on his body.



6:19 A.M.Buchanan calls Karen and tells her that Jack is much worse than he expected. They tenderly express how much they miss each other before hanging up.



6:20 A.M.Chloe confronts Nadia about Jack’s whereabouts because she cannot reach Curtis or Buchanan. Chloe threatens to blackmail her, and Nadia finally admits the truth about why Jack is being turned over to Fayed for retribution. Fayed’s brother bombed the U.S. Embassy in Beirut in 1989. Jack captured him, and Fayed’s brother died during interrogation. Once they turn over Jack, Fayed will have full access to CTU’s surveillance so that they cannot track him. Chloe is incredulous that President Palmer would have authorized this.
6:23 A.M.Morris sees that Chloe is upset. She tells him what is happening.
6:24 A.M.Curtis and Buchanan drive the clean-shaven and newly dressed Jack to the drop point. Wayne calls Jack and cannot find the words to express his emotion. Jack stoically accepts the President’s apology.
6:25 A.M.With Jack’s fate hanging over his conscious, Wayne questions his own ability to run the country. He wonders whether sacrificing Jack is a mistake. Lennox strongly disagrees, and says that Wayne’s brother David would have made the same decision.
6:27 A.M.Karen accosts Lennox of preparing detention centers for Muslims even though it goes against the President’s order. Lennox wants to be ready with the centers because he is sure the President will change his mind.

6:28 A.M.Over the phone, Fayed instructs Buchanan to handcuff Jack at a river access tunnel. Jack explains to Buchanan that he is ready to give up his life if it is on his own terms.
6:36 A.M.Jillian and Ray Wallace watch the terrorist attack events unfold on television in their Los Angeles home. They argue over whether or not their son Scott should go to school. Scott comes in to tell them that the FBI is arresting their neighbor Yusuf.
6:38 A.M.The Wallaces look out the window as Yusuf’s son Ahmed appeals to the police that his father is innocent. A neighbor named Stan chases Ahmed, who locks himself into his house with fear. Scott wants to help his friend, so Ray goes to Ahmed’s house.
6:40 A.M.Stan breaks down Ahmed’s door and enters the house. Ray intercedes and is forced to threaten Stan, who leaves. Ray offers Ahmed to stay at his house. Ahmed refuses, but Ray won’t take no for an answer.
6:41 A.M.Buchanan calls Nadia at CTU and she lets him know the military is ready to take out Assad.
6:42 A.M.Morris secretly shows Chloe a satellite feed that’s not on the government grid. They can look up the location where Buchanan dropped off Jack.
6:43 A.M.Fayed pulls up to Jack in the tunnel. “I’ve been waiting for this for a long time,” Fayed snarls. Fayed’s men knock Jack out and put him in the truck.
6:44 A.M.Fayed receives a warning call from a computer tech named Sabir who has intercepted a private satellite from a government frequency scanning the tunnel. Fayed calls Nadia, and she denies any such satellite. Fayed warns her that there will be consequences. Milo checks the system and sees that the rogue satellite is coming from Chloe’s station. Nadia orders Chloe her and Morris to quickly reposition it. Sabir confirms that it has been done.
6:45 A.M.Fayed threatens to not give CTU Assad’s whereabouts because of the deception. Nadia speaks to him in Arabic to try to appeal to him but he hangs up.
6:46 A.M.Buchanan enters CTU and yells at Chloe. He would fire her but he cannot afford to lose the manpower. “We may have sacrificed Jack for nothing,” he sighs.
6:52 A.M.Karen calls Buchanan, and he is forced to tell her that Chloe’s actions may have broken the deal with Fayed. Karen is furious with him, but then apologizes for lashing out.
6:53 A.M.Jack is dragged into Fayed’s secret warehouse. Sabir gets word that Fayed’s money has been transferred and that no other satellites have been following them.
6:54 A.M.Jack is brought into a torture room. He urges Fayed to call CTU, but Fayed punches him repeatedly. The men hook Jack up to a heart monitor. Fayed threatens to do to Jack what was done to his brother. Fayed pierces the bundle of nerves on Jack’s shoulder with a knife. Jack takes the immense pain calmly. Then Fayed splashes the wound with a liquid that makes Jack scream in agony. His heartrate speeds up. Once again, Jack implores Fayed to give CTU Assad’s location. Fayed says that Assad is a traitor who wants to compromise. He tells Jack that CTU is about to kill the wrong man. Assad isn’t behind the terrorist threats. He came to America in order to prevent Fayed from performing the attacks.
6:56 A.M.Fayed stabs Jack in the back with something sharp, causing Jack to keel over. “You will die for nothing,” Fayed says. Fayed calls CTU and tells Buchanan that he put a transponder at Assad’s location. As Fayed gives CTU the coordinates, Jack memorizes the numbers. Buchanan has the military on call to take out Assad.
6:57 A.M.Morris consoles Chloe by explaining that Jack knows what it takes to serve the greater good. Chloe cries on his shoulder.
Before Fayed can torture Jack even more, he is interrupted by an urgent phone call from someone. It’s Ahmed, who says that the FBI took his father. Although Ahmed is conspiring with Fayed, his father is innocent. Consoling Ahmed, Fayed says that his father was meant to be sacrificed.
6:58 A.M.When the one man guarding him looks away, Jack rips off the heart monitor with his teeth. The beeps go monotone to signal his heart has stopped. The guard comes rushing over to fix the monitor and Jack lunges his head and bites the man hard in the neck. Jack spits out the flesh and the man passes out. Jack manages to take the man’s key and free his hands.
6:59 A.M.Fayed instructs Ahmed over the phone to deliver the hidden package. Fayed returns to the torture room to find Jack missing. He sees an open door and has his men go look for him. Jack is actually hiding below the floor under a grate.

30 janeiro 2007

Não falo mais do referendo

Sei que vou levar nas orelhas de muitos dos meus amigos, mas prometo que é a ultima vez que toco no assunto.
Continuo a dizer que sou sempre pelos mais fracos (sou do SCP), defendo as mulheres mas não posso deixar de ser a favor da vida.
No próximo mês vamos referendar com um sim ou não se concordamos com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até ás 10 semanas. Mesmo as pessoas que não consideram que haja vida até 10 semanas ou mesmo até á data do nascimento deveriam ser contra esta questão e passo a explicar porquê: Se realmente for despenalizada a interrupção da gravidez os abortos sem condições em vãos de escada deixam de ser crime, os tais “pobresitos” que “tinham” que os fazer sem condições deixam de ser penalizados mas vão continuar a faze-los ás escondidas, quanto ao pessoal da nota já ia a Espanha passa apenas a ter a deslocação paga e quiçá a clínica em Portugal.
Até posso ser a favor da despenalização das mulheres que interrompem a gravidez em clínicas certificadas (publicas ou privadas) desde que se agrave as penas para quem continuar a praticar abortos na clandestinidade, não a grávida mas sim os que ganham o guito e estão a investir milhões nesta campanha.

É por causa de frases destas que tenho que defender os mais fracos que ainda nem mandam neles…

“…sobre esta questão apenas concebo uma de duas posições: ou se entende que o feto é vida humana, e nessa medida o respeito pelo direito à vida, consagrado na nossa Constituição, não pode tolerar qualquer forma arbitrária da sua eliminação o que consequentemente exige tutela penal; ou se entende que o feto não é vida e, então, nada haverá a censurar a quem pratica o aborto, muito menos por parte do Estado…”
Maria de Fátima Mata-Mouros, Juiz de direito

12 janeiro 2007

A democracia também pode ser muito perigosa


Acabei de ler o livro “Globália” de Jean-Christophe Rufin, uma fabula social de um tempo não muito distante, onde o homem (alguns) vive numa democracia tão perfeita que existem eleições para tudo e a toda a hora. Aos Globalianos nada falta, até um inimigo quase invisível é criada pelos oligarcas para que não lhes falte o medo. António, tu por lá não tinhas profissão secreta porque a história é proibida – para quê ter memória colectiva se os dias são perfeitos e repetidos ciclicamente de forma que todos andem felizes e na linha? JL, os políticos são completamente inúteis (como agora) porque quem governa são os grandes grupos económicos, os homens da politica são apenas fantoches bem pagos – não será já hoje o futuro? Não há como dar uma vista de olhos na entrevista do escritor ao Jornal de Noticias, ah e leiam o livro, porque vale mesmo a pena.

E Como nasceu esta fábula social?
A intenção era a de, um pouco à semelhança de George Orwell, escrever sobre que género de ameaça nos está destinada. O mundo de Orwell era o do estalinismo do pós- -guerra e foi a partir daí que ele ficcionou o futuro em 1984 [escrito em 1949]. Nós vivemos uma situação diferente, numa sociedade onde a liberdade está fixada como princípio fundamental, mas onde essa liberdade pode provocar uma deriva. Por outro lado, interessava-me ver em que medida a técnica do romance histórico, que utilizei em livros sobre o passado, podia ser aplicada no romance do futuro. Há uma intenção filosófica e política e uma intenção formal: fazer uma transposição do romance histórico para um romance sobre o futuro.

Falou na deriva por vezes associada à liberdade. A alienação pode estar para a democracia como a interdição está para outros regimes? É um dos seus paradoxos?
Sim. Em Globália todos os dias há uma festa. É um modo de desviar a atenção, a agressividade e o interesse para coisas que não têm importância. Da mesma maneira há um desviar de atenção das causas do medo. O resultado é um mundo de alienados.

O seu alvo é a democracia?
Não é uma crítica de princípio à democracia. Não sou contra a democracia, que isso fique claro. Mas quero falar da sua complexidade, que há coisas muito perigosas e é preciso a mesma vigilância em relação à democracia do que em relação a qualquer outro regime político. Ela também pode ser perigosa. Estava a escrever o livro no momento em que os americanos se preparavam para intervir no Iraque e, em nome da democracia, disseram muitas falsidades. A democracia por si só não nos defende dos excessos de poder. Também tem os seus perigos.

Como vê a escrita: uma forma inovadora de contar uma história?
Sou médico e sentia-me um passageiro clandestino na literatura. Comecei pelos ensaios porque me parecia menos comprometedor. Também os via como uma forma literária. Quando os escrevia, pensava em Tocqueville, em Maquiavel. Agora, o ensaio são só as ideias. Achava o romance mais ambíguo, rico. Quando me iniciei no romance, a grande surpresa foi o prazer que senti. Adoro contar histórias e aplico-me a encontrar uma forma de as escrever. Como vê, falo bastante, disperso-me, disparo em todos os sentidos e tenho necessidade de me disciplinar de modo a concentrar-me no essencial.

Disse que quando escrevia ensaios políticos pensava em Tocqueville e Maquiavel.E quando escreve romance, pensa em quem?
Situo-me na tradição do romance clássico francês. Dumas, Flaubert, Balzac... Hoje há uma espécie de snobismo em França em que o romancista quer inovar todos os dias, rompendo com a tradição. Eu não quero romper com a tradição. Quero contar uma história de forma simples - espero que com qualidade -, mas não procuro revolucionar a forma do romance.

Neste tempo futuro em que se situa a Globália, haverá espaço para o romance?
Há um lugar central. A defesa da leitura e em particular da ficção é qualquer coisa de essencial, porque é o único verdadeiro acesso individual à expressão. A única liberdade directa é escrever. A possibilidade de escrever, de escrever histórias, é verdadeiramente uma liberdade individual. O cinema já não é assim. Depende do meio, o controlo político, social. O livro é o último meio revolucionário ao alcance de todos.

07 janeiro 2007

Bom ano e votem no Sim!

Vamos ter mais um referendo acerca da despenalização do aborto. Quero deixar bem claro que eu não concordo com qualquer tipo de morte (mesmo a do ditador do Iraque), penso até, que a pena deveria ser agravada para quem pratica abortos (não para a mulher que aborta apesar de haver outros métodos anticonceptivos).

Aceito todas as opiniões, mas a desculpa de que se deixa de fazer em vãos de escada e em situações pouco higiénicas para as mulheres não me parece razão suficiente para aceitar a despenalização, se não, temos que despenalizar os assaltos – já viram as condições de trabalho dos assaltantes, sujeitos a levar um tiro, etc.

Nas situações de violação a mãe não tem culpa e nunca vai conseguir cuidar do filho fruto da violação, mas que culpa tem o filho? Criem-se bons canais para a adopção, há tanta gente a tentar adoptar crianças.
O problema, é que é mais fácil limpar-lhe o sarampo enquanto não o vemos do que depois de abrir os olhos – como os gatos.

Para terminar, eu vou votar no sim, porque se o não ganhar outra vez, daqui a dois, ou três anos, temos mais um referendo e depois outro, até o sim ganhar. Como diz o meu irmão João “estou é preocupado com o próximo referendo que deve ser o da eutanásia, e eu caminho para velho e cada vez menos produtivo”, pois é escapar até aos nove meses qualquer dia pode não chegar.

Bom ano e votem no Sim!

24 dezembro 2006

03 dezembro 2006

O verdadeiro Pintor

O criador da obra deu-lhe o nome "mulheres". As interpretações são pessoais, visto que, cada um retira da pintura particularidades que só nele despertam emoções, consequentemente qualquer interpretação é sempre correcta (mesmo a do cmatos), as sensações ainda são livres (para já, mas podem vir a ser taxadas).
Quem pintou esta obra? é a questão que ainda paira no ar, eu e sete cientistas já o sabemos á muito tempo (antes de o homem pegar no pincel), posso revelar o seguinte: é muito mais activo do que eu na blogosfera, agora já tem mais algumas pinturas e posso revelar que todos o conhecem, fica a foto para facilitar, com uns truquesitos para dificultar.
PS - O JL não larga o Brasil, tem cuidado Vanda já os vi começar por menos.

22 novembro 2006

"Fazes pinturas no ar..."


Um pintor deixou-me ver uma das suas primeiras obras (penso que até é a primeira) e eu não pude deixar de a apresentar a todos os visitantes desta casa.
Só escrevi pintor para ele não se babar, porque no primeiro texto tinha escrito “Um grande pintor cujo nome…” , mas como eu cortei o texto vocês vão ter que adivinhar quem é (ou pelo menos mandar uns palpites) e ao tirar o “grande” remeti-o para a categoria de qualquer artista antes ser reconhecido pelo publico.
Eu até sei o título da obra, mas vou esperar que os meus amigos lhe dêem um titulo de uma única palavra (estão caras) e deixem uma pequena (ou grande) descrição do que desperta em cada um esta pintura, por vezes os olhos dos outros destapam surpresas escondidas em recantos que nem o autor conhece.

17 novembro 2006

Acabou o desemprego!


Como prometido o Governo da nossa pátria vai diminuir drasticamente o desemprego, a formula é muito simples e esteve sempre á vista de todos, mesmo dos mais cegos. Pelo que eu tenho lido, assim que seja publicada a nova lei todo e qualquer trabalhador que receba uma justa indemnização pelo trabalho que desempenhou deixa de ter direito a ser desempregado e ao consequente subsídio de desemprego. Portanto o subsídio de desemprego vai ser só para alguns que vivem gravitando de emprego em emprego á espera que os seus contratos não sejam renovados para poderem ter umas férias prolongadas (eu conheço alguns assim) ou para quem seja despedido com justa causa, porque penso que quem trabalhar condignamente tem direito a sair do seu emprego com uma justa indemnização, mas, há sempre um mas, os nossos políticos são muito invejosos ou será a sociedade e se alguém consegue ganhar algum dinheiro numa situação trágica, como é o desemprego, essas aves de rapina vêm logo sacar-lhe as entranhas.

Portanto meus amigos, a partir do próximo ano vamos ter menos desempregados mas muito mais gente sem emprego.

07 novembro 2006

A tristeza de Lucrécia…


O frio rachava pelas goteiras, encolhida, com as pernas encostadas ao peito, ouviu o relógio da igreja gritar para a noite que eram cinco da madrugada. Que triste coincidência, o Sr. Prior tinha vindo, mais uma vez, servir-se do seu corpo para satisfazer as tentações da carne, pobre espírito. Quanto mais espezinhava e gritava – não! – mais prazer parecia dar àquela alma de diabo, nesse momentos maldizia a mãe por não ter feito um desmancho quando estava grávida dela, não a devia ter trazido ao mundo para isto, não a matou de uma vez enquanto nada sentia e castigou-a com este corpo putrefeito que agora fede àquilo a que alguns chamam amor.
Sempre que é violada deixa o maltrapilho sozinho no quarto como quem se masturba na solidão e o seu espírito vagueia por amores que nunca vai encontrar, porque não existem, mas ela nesses momentos também não, quando satisfeito o sacro (demoniaco) homem grita – Foi a tua mãe que mandou, tens que obedecer á sua ultima vontade, não te esqueças que fui eu quem a encaminhou para o céu através da oração, não queiras que ela arda no inferno por ter feito dois abortos e ter tentado o mesmo em ti.

A chuva purifica o corpo mas não há nada que lave a alma.

- Lucrécia, minha linda que te aconteceu rapariga?
- Nada, dona Purificação, nada… - com os olhos postos no chão.
- Está com a cara de quem não dormiu nada e com esses olhos tão tristes, anima-te rapariga tu és muito bonita para andares por aí assim como quem anda com o mundo ás costas.
- Tenho que lhe perguntar uma coisa… mas tenho tanto medo!
- Logo vi que havia marosca, desembucha rapariga, sabes muito bem que podes confiar em mim!
- Não tenho… mais ninguém… a quem recorrer…
- Vá lá! Não tenhas medo sou toda ouvidos.
- Tou grávida e tenho que fazer um aborto, esta criança não pode vir ao mundo!
- Porra rapariga, podias ter dito logo, quem foi o bastardo? Já falas-te com ele?
- Não posso dizer a ninguém…
- Pronto não digas, mas como sabes houve três referendos á lei do aborto, no fundo foi até o sim ganhar, eu não concordo que mates a vida que tens dentro de ti, mas se esse é o teu desejo é só dirigires-te ao teu médico de família…
- Isso é só para os ricos que antes gastavam o dinheiro nas clínicas de Espanha…
- Não minha querida, eu vejo mal por causa das malditas cataratas, mas se quiser ser operada na privada tenho que pagar do meu bolso, mas para tu abortares o estado paga tudo na clínica.
- Sim, sim na teoria é, mas na prática só aceitam quem querem, os sem condições para alimentar mais uma boca não se podem dar a esse luxo, para nos ou utilizamos o citotec ou vem mais um desgraçado ao mundo!
- Quem venha! Que eu não te posso permitir que o mates como a tua mãe te queria fazer a ti…
- Antes o tivesse feito…
- Nem o penses quanto mais dize-lo, ainda hoje vais viver para minha casa, amanhã vamos fornicar o filho da mãe que abusou de ti, ele que se ponha fino que sou capaz de lhe arrancar o apetrecho…
Dona Purificação agarrou na mão de Lucrécia e em silencio seguiram para o terço das sete, começou a chover a cântaros, Lucrécia não entrou, deixou-se ficar plantada á porta da Igreja com a esperança de que as lágrimas do céu lhe lavassem a alma e as entranhas, mas ao fim de vinte cinco anos já a pequeno aborto estava a sair da faculdade para ajudar a mãe na gestão do seu império de chinelos de dedos, construído com a ajuda de um marido de sonhos que a ajudou a criar mais quatro filhos. Ah! a dona Purificação essa não existia a Lucrécia esteve a falar com uma amiga imaginária ou seria com o seu próprio filho ainda no ventre disfarçado de mulher… o que nos faz a natureza para contrariar a morte….

02 novembro 2006

Dois dedos iguais

Em Guimarães de Tavares vive o António Anjinho, que segundo o próprio (recebeu essa informação divina transmitida pela padroeira de Portugal) nunca vai morrer porque tem dois dedos iguais – e quem tem dois dedos iguais (na mesma mão) nunca morre.
O António tem uma coisa muito boa, como é considerado retardado nunca teve que trabalhar muito, nem na lavoura para a qual só era necessário força bruta.

Antes do 25 de Abril de 1974 podia dizer mal dos governantes porque era louco e ninguém lhe ligava, agora os mais sãos da tola (não eu) já o podem fazer porque somos livres... e também porque ninguém liga.

12 outubro 2006

Voltemos á serena calma dos dias


O objectivo deste pequeno blogg é apenas a divulgação da minha modesta opinião sobre assuntos positivos da vida. Inclui-se nesses assuntos positivos os livros e a música, desde que sejam interessantes. Ora, os dois posts sobre o “Enxofre” e “A dança da morte” estão fora do contexto de tudo o que eu quero para esta pequena casa. A quem os comentou as minhas desculpas, mas o meu maquiavélico plano é destruir estas duas manchas.

Relativamente ao tradutor, Mário Dias Correia, já li muitos livros por ele traduzidos – “Fortaleza Digital”, “Anjos e Demónios”, "O código Da Vinci", "Uma vida inacabada", "O Livro Negro da América" (estes foram os poucos que fui espreitar á contra capa, mas por ventura deve haver muitos mais abandonados nas minhas prateleiras) – e todos apresentam grande qualidade. Quantos aos dois visados nos posts a abater prometo voltar a folheá-los mas só vou escrever os pontos positivos - Para começar aprendi o que é uma cacatua.

09 outubro 2006

O “Espeta e deixa”

No sábado passado tive que alombar com uns belos poceiros cheios de uvas. A vindima esteve marcada para o anterior, eu até tinha um casamento, mas o São Pedro, com algumas cunhas dos meus irmãos, mandou tal carga de água que a coisa teve que deitar adiante. Fiquei todo partido, também porque não admiti rodilhas ao ombro – isso é para as mulheres.

A casta que se vê nesta imagem deve ter um nome técnico que eu desconheço, na minha aldeia a população chama-lhe “espeta e deixa” – porque são umas uvas saborosa quando se comem sem trincar e deitando logo a casca fora.

Espero que ao menos o vinho deste ano seja muito bom porque o meu pai deu-se ao trabalho de não enviar tudo para a cooperativa (que paga quando calha) e fizemos um lagar de boa pinga – Não levou “espeta e deixa”.

O ti António da Vinha Morta e a esposa do Rui das Botas (que tem uns borregos muito bons) são as personagens do primeiro retrato, já a vindimarmos o fim do Prado.

27 setembro 2006

Feijão assado no forno

Depois de várias tentativas falhadas de fazer este belo pitéu em minha casa, resolvi tirar o rabinho da cama antes da alvorada e fui ajudar dois velhos amigos a elaborar o petisco. Às 08 horas já o Rochinha (o careca de barba) andava atarefado a meter lenha no forno, eu e o velho Oliveira (o de chapeu) só nos apresentámos ao serviço por volta das 08h30.
Lavámos as mãos (eu achava que dava sabor mas o Oliveira é um doente da higiene) e como o tacho era para 15 comilões (beberrões) tive que descascar 10 cebolas e uns 20 dentes de alho. Depois de tudo picadinho e lavado mistura-se com o feijão (Catarino - grande e amanteigado) que está de molho há mais de 15 horas. Com a carne, diz-me o velho Oliveira - "O segredo está em deixa-la cortada e metida em sal durante três dias devendo depois ser bem demolhada no dia anterior, e não te esqueças que tem que ter um pedaço de rabo e orelha para dar sabor".
Depois de tudo misturado é acrescentado o presunto em cubos e a chouriça cortada (em grandes pedaços), mais uma mistura, meio litro de azeite e toca a atestar com água até tapar os feijões.
O forno deve estar branco de tanto calor, então o assador entra lá e só de pode abrir a porta ao fim de uma hora para ver se precisa de mais água (sempre fria).
Três horas depois e após alguns petanços entre os meus dois velhos - tal e qual os Marretas sempre a resmungar um com o outro - "não aqueceste bem o forno", "tem água a mais", "é ultima vez que aqui venho" etc. - está tudo pronto para se deliciar.
Desta vez chovia como Deus a dava mas nem assim conseguimos rapar a travessa, quanto ao vinho, não se pode dizer o mesmo, talvez devido a um fenómeno metrológico chamado evaporação, os garrafões foram desaparecendo uns atrás dos outros (ainda por cima fui eu quem levou o vinho).

Muito Obrigado Oliveira pela aula (por esta e por muitas mais)!
Muito Obrigado Rochinha pela barraca que nos acoita!

28 junho 2006

A tv-kaka é gatuna... eu tambem!


Tenho andado a lutar contra os piratas da TV-Cabo e da Cabovisão, que sem me informarem, conforme o contrato, resolveram cortar-me o sinal do M6 e da RTL durante os jogos do Mundial. A minha opção vai ser mandar cortar na minha conta o débito deles no fim do mês, depois quero ver se eles me conseguem provar que o serviço que contratei com eles não está danificado ou incompleto. Eu, nem sabia que tinha tais canais no pack que me venderam, mas eles sabiam e, desde há muito que sabiam, que estes iam transmitir os jogos todos, não custava nada terem-me informado com um mês de antecedência que a partir do dia x aqueles canais deixavam de transmitir (algumas horas), e eu decidia se queria pagar um canal que emite um sinal preto com uma mensagem estranha sobre direitos de transmissão ou não.
…. tenho uma antena e podia vira-la para o Astra e aprender alemão. Felizmente tenho visto a bola e em português. Força tugas…. Vamos ganhar sábado.

Contras os bretões marchar! Marchar!

26 maio 2006

Os Amigos do Rio



Finalmente consegui um convite para entrar no restrito grupo dos “Amigos do Rio” que todos os anos por esta altura passam desde Sábado á tarde até Domingo depois de almoço num recôndito lugar do rio Tâmega. Eu sou o número 112 e este ano estiveram presentes cerca de noventa amigos.
Por volta das seis da tarde chegámos á aldeia de Capeludos, depois, por uma estrada de terra batida lá conseguimos chegar a um vale junto ao rio. Montámos as respectivas tendas e começaram a circular as petisqueiras – a punheta de bacalhau, o belo presunto, a chouriça e outras iguarias – e os respectivos líquidos para não empaparmos.
O jantar foi servido numa tenda montada para o efeito, uma feijoada (picante para puxar pelo tinto) com muita carne grelha na hora e na brasa (JL). Após esta regada refeição foram entregues as medalhas de antiguidade para quem já marca presença á cinco, dez, quinze ou vinte anos.
Antes de começar o grande concerto de improviso, onde o grande cantor Rogério Santos brilhou, chamou-se pelo nome dos que já partiram deste mundo e que fizeram parte do grupo dos amigos do rio.
Enquanto a banda improvisada improvisava animadas músicas populares pelas mesas jogava-se á batota e o vinho ia correndo pelas goelas (mesmo pelas dos músicos).
Não compreendo o porquê de se levar tendas para dormir duas horas, porque de repente já estávamos a desmontar as tendas e a limpar o lixo.
Ao almoço deleitámo-nos com um bacalhau assado regado com muito azeite e alho.

Fígado desculpa lá mas para o ano lá estou outra vez… nem que chova.

16 maio 2006

LIVING WITH WAR - o novo album do jovem Neil Young



Para ouvir o Neil Yung carregar aqui'

Este jovem que a 12 de Novembro faz 61 anos de idade ainda me consegue surpreender.
Ouvi com atenção o seu último álbum de originais (Living with War), tenho que dar a mão á palmatória e concordar com o José Sócrates, este homem não se pode reformar aos 65 anos. Ainda faz música jovial e cheia de energia.
Recorre muito aos coros mas as musicas são autênticos hinos, gritando contra todas as guerras do mundo(as orelhas do Bush aquecem). Podemos sentir o suave vento das pradarias americanas e a força bruta da guitarra dos cavalos loucos.

Deixo aqui a lista de todos os seus álbuns originais:




09 maio 2006

A FILHA DO POLACO




Se alguém souber do paradeiro de um livro chamado “A Filha do Polaco” do escritor António de Campos Junior, agradeço a informação. Eu e um dos sete cientista meus amigos; uma ave rara (Corvus corax) original de Vale de Remígio, onde á muitos séculos Lúcios Cornélios drenou as águas paradas de um lago criando espaço para o seu ninho. Mas adiante, o dito anda á muitos anos á procura do livro que conta as aventuras de um soldado polaco em terras lusas (Mortágua) no tempo das invasões francesas. Eu só consegui a capa e o resumo.

Um abraço e boa semana

06 maio 2006

Massive Attack - Live with me

Click here to watch 'Massive-Attack-89'

Já que estou numa semana de música, deixo por aqui um vídeo dos Massive Attack, que foram sem duvida uma das melhores evoluções no contexto musical dos últimos anos. Depois pararam ou pelo menos ficaram mais moles. Apesar de tudo marcaram sempre pela diferença e trouxeram uma lufada de criatividade a um mundo do sempre igual, a girar em volta dos mesmos conceitos.
Este vídeo, como tanto outros deles, está magnifico, ou sou eu que gosto…

Boa Semana.

PS – Já agora, veio para a rua uma compilação com um dvd e um duplo cd com os melhores temas dos moços de Bristol, vale a pena, eu que sou maluco comprei o original.

03 maio 2006

Dois novos albuns - Pearl Jam e Gomez (How We Operate)


How We Operate o novo cd de originais dos Gomez é o primeiro para a ATO. È um álbum calminho recheado de boas musicas muito bem feitas quer no aspecto lírico quer melódico. A crítica considera-o muito bom, dá-lhe 4.5 estrelas numa escala de 1 a 5, eu, considero-o demasiado morto, dou-lhe 3 estrelas pois esperava mais destes rapazes. Atenção, não tem nada a ver com os GNR do post abaixo, aqui a musica prevalece e eu, se calhar, não estou com estado de espírito para coisas calmas. Por isso tenho andado a escutar em altos berro o novo dos Pearl Jam e olhem que 15 anos após o Ten e após alguma “perdição” (não quero dizer mau), voltaram ao som que sempre os caracterizou. Desde já um obrigado ao Eddie Vedder e demais companheiros.
Para ficarem com água na boca fica uma dos Gomez, amanhã meto Pearl Jam.